- Não acredito que você seja tão cafajeste assim, Sam! - Laura estava sentada no jardim, segurando o medidor de luz, olhando com indignação para a loira.
- Você sabe disto, Lau! Estava na minha descrição no orkut. Era fazer o serviço e me mandar. Este negócio de falar “beijos, me liga” é só pra não sair sem falar nada. - Sam inclinou sua cabeça até o chão, observando o ângulo.
- Nunca ligaram?
- Talvez, se tivessem um número.... - se levantou e pegou a câmera que Laura segurava - alguns me acharam outra vez, mas eu não era de repetir programa.
- Azar o seu! Uma segunda vez pode ser bem melhor, você vai pegando a sintonia, sabe. - Laura observava, encantada, a meticulosidade com que Sam fotografava.
- Eu já tinha a minha resposta, não precisava de uma segunda opinião. E como não vou responder esta próxima pergunta... diz agora você qual é sua técnica para dar foras.
- Era... eu não vou dar foras em ninguém mais. - Laura deu um sorriso forçado, de criança fazendo arte, mostrando todos os dentes.
- Acho bom mesmo! - Sam parou de fotografar a flor do campo e se sentou na grama, olhando maliciosamente para a morena, que, mesmo de jeans e camiseta cinza, parecia a mais bela criatura, Sam tirou algumas fotos dela - Mas não mude de assunto, mocinha. Ainda quero saber como você dava foras.
- Técnica masculina. Rápida, prática e indolor. Eu ia para a África e quando voltava já não tinha mais recados na caixa de entrada.
- E você tem coragem de me chamar de cafajeste porque não ligava de volta pra pessoas que só tinham ficado comigo uma vez? - Sam olhava para ela com boquiaberta. - Você é um monstro, Laura Saches!
- Ah, eu não ia agüentar aquelas carinhas desesperadas, querendo um pouco mais da deliciosa e habilidosa morena de 1,80. Pode acreditar, eu fiz muito por elas enquanto ficamos juntas, mas depois, a sensação de vazio, a vontade desesperada de fazer algo de útil, sempre que comparei um namoro com o meu trabalho, descobri o quanto sou apaixonada pelo que faço. E não me olhe assim! Eu ligava para elas antes, avisava que estava indo viajar a trabalho e que não queria prender ninguém a mim, que elas estavam liberadas.
- Você dizia isto a elas? E qual era a reação?
- Nunca falaram nada, nunca soube de nada... e olha que eu sempre falava depois do bip!
- Falava depois do... LAURA! MONSTRO! - Sam arrancou um pouco de grama do chão jogou nela.
- Ai, pára senhorita “bjusmeliga” ! Comi terra, eca...
- Aposto que está melhor que o almoço com painho, hoje.
- Ai - Laura colocou a mão na cabeça, aproveitou pra tirar grama do cabelo - Você tinha que me lembrar? Eu estava tentando me convencer que era só um pesadelo! Você não vai vir mesmo? Sério que vai fazer isto comigo?
- Mas Lau! Eu prometi pros pestinhas que ia almoçar com eles hoje! Iria quebrar o coração deles deixar de ir à lanchonete, comer sanduíches e tomar sorvete, para ir àquele restaurante todo fresco, almoçar com aqueles dois simpáticos sujeitos!
- Você planejou isto, não planejou? Seu pai não ligou só ontem pra ontem pra você, aposto! E seu irmão vai estar lá... ai! Ainda mais com esta cara... safada! Você armou tudo! - agora foi Laura quem jogou grama em Sam, que estava deitada na grama rindo dela.
*********
Já fazia quinze dias desde a “sexta-feira da vergonha”. Laura já tinha conhecido toda a turma de Sam. Tinham ido à famosa lanchonete, só Arthur não foi e ela não chorou pelos cantos por isto. Ficou encantada com Gabriel, cantou “I’ll survive” com ele no videokê, ou melhor, ela cantou e ele foi a própria “Priscila, A Rainha do Deserto” no palco. Eles tinham marcado de sair nesta noite também, ia ter um show. Vai ser legal sobreviver ao almoço com meu doce sogrinho e meu cunhadinho que me viu pelada e viu coisa pior que isto... ai céus, apaga isto da memória, Laura, apaga! Mas era tarde, a lembrança do loiro entrando no quarto e de seu queixo caindo tanto quanto seus olhos se arregalavam, sua sensação de perceber o sangue invadindo seu rosto, não, isto não seria fácil de esquecer. Respirou fundo e entrou no restaurante, desta vez mais preparada para o que iria encontrar.
Cássio estava discutindo com o pai quando Laura chegou, eles estavam distraídos no assunto e não notaram sua presença atrás deles.
- Não, Cássio, nunca gostei deste rapaz! Ele é dissimulado, vingativo! A moça ao menos parece que trabalha sério, a família é bem unida e confiável e eles tem uma pousada bem interessante!
- Uma mulher, pai! Como você... - Neste momento Laura deu dois passos para trás para anunciar sua presença, como se estivesse chegando neste momento.
- Boa tarde, Dr Figueiredo! - o pai de Samantha se levantou para cumprimentá-la, bem como Cássio, só que este com um ar bem menos simpático que o pai.
- Olá, Laura. Nós dois atendemos por “doutor Figueiredo”.
- Isto facilita na hora de cumprimentar! - Laura brincou, enquanto se sentavam mas que menininho mais chatinho! - Como você prefere ser chamado?
- Meus amigos, como Arthur, por exemplo, me chamam de Cássio. Os demais de Dr Cássio, você pode me chamar assim.
- O que significa que assim como seu pai, você também fez seu doutorado, não é? A Sam me contou sobre a tese dele, mas não da sua. Defendeu aqui mesmo, no Brasil?
O ar inocente de Laura não conseguiu enganar o experiente Dr Rafael, que após fazer seu pedido, se recostou melhor na cadeira para assistir o duelo, amava os debates.
- No Brasil, é costume dar o título de doutor aos bacharéis em Direito, Medicina e Odontologia, Laura. - respondeu um desconcertado Cássio. - a necessidade de fazer doutorado para ganhar a titulação, é para cursos menos nobres.
- Entendo, em outras palavras, é tirar o direito de quem tem para dar a quem não tem, não é? - Laura notou Cássio se enrijecendo na cadeira, se virou para o Dr Rafael - Meu pai disse que o senhor foi visitar a pousada semana passada. Gostou?
- Lugar encantador, eles foram muito felizes com a escolha do lugar, Boa Viagem é ponto de referência não só para Recife, mas para todo o turismo do Brasil. Sua família faz um trabalho muito bem feito lá. Por que você não deixa esta vida maluca de fotografia e não trabalha com eles?
- Estou mesmo pensando em voltar ao Brasil, se a Sam não quiser ir comigo para a Espanha. Mas nunca abandonaria minha profissão.
- Seus pais falam de você com orgulho! O seu trabalho é reconhecido, eles mostraram uns prêmios que você ganhou, as revistas que publicam suas fotos. Parece ser um trabalho sério, à princípio pensei que fosse o mesmo estilo que o da Samantha.
- Ela fez uma exposição há pouco tempo aqui na cidade, vocês chegaram muito cedo ou muito tarde? Não me lembro de ter visto fotos de vocês na inauguração. - mais uma granada no terreno do inimigo.
- Ela fez exposição? Ah é? - Dr Rafael parecia realmente surpreso.
- Nós estávamos cuidando do caso do Dr Pontes, da construtora, seria impossível irmos. A Sueli, nossa secretária, mandou umas flores pra ela, ela nunca esquece de mandar os nossos presentes. - Laura se irritou com a informação nada como um presente escolhido pela secretária, afinal o dr merdinha iria desfalcar o mundo se fosse escolher um presente para a irmã.
- O trabalho da Sam é bem reconhecido. Nosso estilo é diferente, é preciso ter coragem para fazer o que faço, mas é preciso ser artista para fazer o que ela faz.
- Artista! A Samantha sempre teve esta coisa de ser artista! Por isto que não estranhei ela vir falando de namorar mulher, ela é sempre de fazer coisas diferentes, corta o cabelo espetado, coloca brinco no umbigo, tira fotografias de gato, flor, grama, até foto em branco e preto ela tira, mesmo no século XXI, nada me espanta vindo dela!
- Você deixa ela passar dos limites, pai! Isto foi longe demais, ela precisa de um homem com pulso firme ao lado dela, alguém pra fazer ela andar na linha.
- Sua irmã é meio maluca mas não é trem, ela não tem vocação pra andar na linha. E você acha que seu amiguinho Arthur é o homem certo pra ela? Ele é um encostão, agressivo. - Laura estava assistindo a discussão, já tinha aberto a boca algumas vezes, mas achou interessante conhecer os pontos de vista de seu ‘sogro’. - A moça aqui, pelo menos, nunca vai bater nela! - nossa, lembraram que estou presente.
- Com licença, perdi completamente o apetite. - Cássio jogou o guardanapo sobre a mesa, se levantou, pegou sua maleta e olhou para seu pai- Encontro o senhor no escritório. - olhou com frieza para Laura - passar bem. - ela só assentiu com a cabeça.
- Como se precisasse me avisar que vai se encontrar comigo no escritório! Estes dois são muito diferentes, este ai nem dirige o próprio carro, vem comigo todo dia para o serviço, volta comigo, almoça comigo. Já a Samantha... mas ela é comportada, o porteiro me disse que ela nunca leva ninguém em casa, não dá festas loucas...
- Apesar de ser artista! - Laura emendou sorrindo - O senhor acha mesmo que ela é meio maluca?
- Eu gostaria de achar alguma coisa a respeito dela. - ele respondeu olhando fixamente para os olhos azuis hipnotizantes em sua frente, parecendo tentar ler neles algo que justificasse a confiança que sentia na mulher à sua frente. - Samantha se parece muito com a mãe, eu tenho dificuldade em olhar para ela.
- Ela acabou perdendo mãe e pai ao mesmo tempo - Laura falou suavemente - o senhor não tem idéia de como ela sente isto.
- Acho que ela não liga. O Cássio não larga do meu pé. Já ela, saiu de casa assim que foi possível. Ela cresceu sempre muito fechada, passava dias sem que eu a visse.
- Talvez, tudo o que ela quisesse é que o senhor fosse a procurar. Esta exposição mesmo, foi muito importante para ela. E não foi a primeira...
- Mas se ela mandou convite a Sueli mandou nossa lembrança, ela nunca se esquece.
- Pois é, estou querendo comprar um presente de Natal pra ela. O que o senhor sugere, do que ela gosta?
- Não sei, não faço a menor idéia. Nem sei o que foi que foi dado pra ela ano passado ou no aniversário, em meu nome. Sou um fracasso como pai.
- Ela ainda precisa da sua presença. Ela precisa saber que tem um porto seguro. Sabe, eu viajo para o mundo inteiro e, por mais de uma vez, já fiquei em situações de risco. Saber que tinha para onde voltar, saber que tinha alguém sempre pronto para me receber, foi o que sempre me deu coragem para fazer qualquer coisa. Ela só precisa saber que o senhor se importa com ela.
- Eu me importo! Isto ela sabe, dou uma mesada para ela, prometi que vou sempre...
- Dinheiro não é nada! Ela nem ao menos precisa disto! Se o senhor abrir os olhos vai descobrir o que muita gente já descobriu: sua filha tem talento! - acrescentou com ironia - não é qualquer bacharel que consegue comprar uma foto dela.
- Ela é boa assim? Por isto que ela mesma faz a declaração do Imposto de Renda dela - ele ria, passando os dedos na gravata - eu adoro as espertezas da Samantha!
- Então diga isto pra ela, aposto que ela vai ficar feliz em saber. É isto o que ela precisa, um pouco de contato, sentir que mesmo que viva independente sempre vai ter uma família para apoiá-la.
- Vou tentar, Laura, não é fácil para mim. Olho para ela e sinto uma saudade desesperada da Jackie. Agora preciso ir, tenho uma reunião logo mais. Foi um prazer falar com você.
- Foi bom falar com o senhor, também. Só não se esqueça, que sua esposa confiou em você para cuidar dos seus filhos. - e que delícia de filha! Droga, eu estava indo tão bem, porque fui pensar nisto agora.Vista a roupa Sam, porque foi aparecer assim na minha imaginação agora.
- Tudo bem? Você ficou vermelha de repente, sua pressão é normal?
- Ah, não, err ... tudo bem... tudo bem! Sério, tudo bem mesmo, é só umas bobagens que passam ... - droga, como eu consigo complicar tudo.
- Bobagens... é melhor eu nem perguntar, aposto que estas “bobagens” incluem a minha filhinha. A garotinha que até ontem mesmo era só um anjinho loiro! - Laura corou ainda mais violentamente, ganhando um ar desconfiado do homem loiro, que franziu o cenho- Tsc, tsc, tsc... Até mais! Comporte-se!
*********
- De novo! Foi você que eu vi!
- Foi o Mateus!
- Loira sonsa! Roubando batatinhas do meu irmão e jogando a culpa em mim! Tome tento! Ei, você já acabou com o seu refrigerante, este é meu!
- Vocês são miseráveis com estas batatinhas, vou pedir mais uma só pra mim, nem vou dividir! - mal terminou de falar e já tinha recebido ‘voluntárias’ doações em seu prato - Ah! Assim que eu gosto!
- Eu deveria ter mandado um adulto sair com vocês, pelo jeito! - Laura chegou por trás de Sam, dando um abraço que prendia a loira à cadeira, salpicou-lhe um selinho e foi sentar entre os meninos, roubando uma batatinha no caminho.
- Até tu, tia! Já não basta esta loira assaltante e agora tu!
- Puxa! Vocês precisam aprender a negociar! Uma loira destas na frente de vocês e tudo o que conseguem pensar é ... em batatinhas! Não puxaram sua tia!
- Tia, o Marcos fica babando por ela, mas é sua namorada, a gente tem que respeitar.
- É verdade, porque a mulher é minha, se eu ver um marmanjo qualquer dando em cima vai levar uns petelecos pra aprender.
Laura simulou um safanão em seu sobrinho, que correu e pulou no colo de Sam. Passaram o resto da tarde nos jogos do shopping, tomando sorvete, passeando na praia. Sempre que os pestinhas davam um minuto de sossego, elas aproveitavam para ficar mais próximas. Era tão boa a sensação de estarem juntas, sentiam uma felicidade completa, como se nada no mundo pudesse ser feio ou assustador. Até que o celular de Laura tocou.
Sam estava fotografando os meninos, que estavam brincando de “sombra” com as pessoas que caminhavam na areia, observou Laura ao telefone, notou a expressão preocupada e pensativa no rosto da morena quando desligou, teve uma sensação ruim e achou melhor ir conversar com ela.
- Aconteceu alguma coisa, Laura?
- É a dona Carmem, a Su me ligou dizendo que o estado dela se agravou. Ela tem perguntado por mim, disse que me considera uma filha e quer me ver antes de partir. - a voz de Laura estava embargada e uma lágrima solitária rolou em sua face.
- É assim tão grave mesmo? Você disse que elas são meio exageradas.
- Me parece que é sim, Sam. Eu vou ter que ir pra lá.
Sam sentiu seu estômago gelar, seu coração apertar. Era óbvio que Laura estava por ali só de passagem, a vida dela estava em outra parte do mundo, ela veio passar férias e já estava lá há mais de vinte dias. Mas ela sempre se negou a pensar na hora da separação.
- Ah, você vai voltar então. Decidiu quando vai? - tentou disfarçar, mas sua voz era só um sussurro, o pensamento gritando o que ela não falaria - “você poderia me chamar para ir junto, eu largaria tudo por você”.
- Tenho que ir logo, Sam. O estado de saúde dela é muito grave, ela pode morrer a qualquer hora. “gostaria tanto que você viesse comigo, mas não posso te pedir isto”.- Eu vou ver pra quando tem vaga, comprei passagem de ida e volta, só faltou marcar a data.
- Ah, olha os meninos entrando na água! - Sam levantou e foi andando apressada para o mar, entrou com roupa e tudo, era a desculpa que precisava para que ninguém visse seus olhos úmidos.
Laura ligou para a companhia. Tinha vôo para aquela noite, para sábado, mas ela só reservou para domingo à tarde, queria um tempo para se despedir. “Despedir... Este oceano vai ficar entre nós novamente, meu amor.” Ficou sentada observando a loira que estava perto de seus sobrinhos, mas não brincava com eles. Queria aproveitar todos os minutos preciosos que poderiam ficar juntas, tirou sua roupa já que estava com um biquíni preto por baixo e foi até a garota que mais amava neste mundo. Abraçou-a pelas costas, sentiu o ligeiro susto que a outra levou quando sentiu o contato, mas que passou rápido, assim que reconheceu o toque, o cheiro, a respiração que já era tão familiar. A loira se deixou abraçar, se recostou nela, sem nada dizer.
Ficaram assim por um tempo, então Laura a virou para si, ergueu o rosto tão delicado de Sam para que pudessem se olhar nos olhos. Enquanto a mão esquerda apoiava a maciez dourada dos cabelos de Sam, seus dedos passeavam voluntariamente pelo rosto tão emocionado que a encarava. Embora estivessem mudas, seus olhos trocavam carinho, emoções que não podiam ser traduzidas em palavras. Aproximaram-se lentamente, aproveitando o prazer se saber que este movimento as levariam de encontro uma da outra, podiam sentir o hálito quente que se tornava próximo, cheio de promessas. Tocaram seus lábios, mergulharam na suavidade que vinha deste encontro. Em perfeita sincronia, abriram a boca, para dar e receber, tocar e ser tocada.
- TIA! A ONDAAA - Laura teve só um segundo para usar seus reflexos e protegê-las da onda que ia quebrar sobre elas.
- Uh! Isto foi um batismo! - observou os meninos que pegaram um “jacaré” na onda e estavam próximos à areia agora.
- Batismo... - resmungou a loira, caminhando em direção à praia - “eu preferia outro sacramento”
Sentaram-se na areia lado a lado observando o mar, ficaram um tempo assim, perdidas em seus pensamentos, tão tristes pela separação que viria logo que se sentiam incapazes de aproveitar o momento de ainda estarem juntas. A dor que se avizinhava já reclamava seu espaço.
Laura sentiu uma certeza invadir seu peito. Nada era mais importante para ela do que estar junto de Sam. Era incrível isto, mas sentia, pela primeira vez, que sua prioridade mudara. Ela iria viajar sim, mas seria para colocar um ponto final na sua vida dupla. Já tinha feito sua parte, tinha muito a fazer em seu país também e não faria sozinha, sabia que Sam a acompanharia. Se sentiu feliz, ela tinha encontrado o que muitos passam pela vida procurando e não achavam. Encontrou alguém para dividir seus sonhos, suas realizações, sua vida. Novamente ergueu o rosto de sua amada para poder olhar em seus olhos. Ela estava tão triste, tão confusa.
- Você parece feliz, Laura. Estava com saudade da sua vida? - a pergunta veio tão triste que partiu o coração de Laura.
- Estou feliz, Sam. Como só a sua presença pode me fazer. Estou feliz porque sei que vou, mas tenho para onde voltar. Vai ser bom ir agora, resolvo tudo o que tenho que resolver e volto para ficar com você.
- Volta? - A esperança fazia seu coração disparar e dificultar sua respiração - Volta quando?
- Tão logo seja possível, Sam. Não sei quanto tempo consigo ficar longe de você. E não quero testar. - respondeu com sinceridade, ganhando em troca um abraço longo, apertado, comovido.
Levaram os meninos para casa. A presença deles ajudou a aliviar a tensão. Foram para casa em seguida, se amaram por longas horas, até que desse a hora de se aprontarem para sair com os amigos de Sam. Laura colocou com um vestido verde que valorizava seus seios e caia delicadamente, abaixo da linha da cintura. Sam estava de mini-saia jeans e top preto, deixando seu piercing no umbigo à mostra.
Iria ter um show com Gerlaine Lops naquela noite e o bar estava lotado, as luzes estavam mais amenas para iluminar o palco, e as conversas estavam animadas. Gabriel disse para Laura que para o bem de todos ela era namorada de uma amiga, senão a sexualidade dele estaria em risco, foi zuado por todas. Fernanda estava inconformada. Tinha pintado o cabelo de preto, porque Gisele ficou a semana toda falando dos cabelos de Laura, como gostava de morenas e agora elas estavam discutindo, já que Gisele disse que ela era a única loira que ela gostava. Andréa e Virna, que eram mais próximas à Arthur, estavam começando a se soltar com Laura também. Um pouco antes do show começar, um incomodo silêncio na mesa se fez quando notaram a presença de Arthur parado junto à cabeceira, onde estava Gabriel.
- Assustaram por quê? Eu fui preso mas juro que não sou bandido!
Gabriel se levantou e o encarou, os outros ainda em silêncio, observavam. Alguns segundos se passaram quando Gabriel soltou a purpurina acumulada e falou:
- Conta tudo, bofe! A prisão é aquele paraíso que falam na tv mesmo? Ah, aqueles homens tatuados, com cara de mal, músculos e muita fome! Senta aqui e conta! É isto mesmo!
- É, Gabriel, me comeram de todo jeito que você possa imaginar! Seu mente poluída! Só fiquei lá por algumas horas. Meu advogado é bom!
- Seu advogado é uma delícia! Que homem é aquele! - olhou para Sam com um sorriso - Não é, cunhada?
- Gabriel, seria um sonho você entrar na família! Aposto que as ceias de Natal iriam ficar mais animadas.
- Mas este ano vai ser animada, Sam. O Cássio já me convidou... a Laura também vai, não é? Acho que o Dr Rafael já te chamou, não é? - Arthur se dirigiu em tom neutro para a mulher que odiava, mas com quem decidiu que faria política de boa vizinhança, por hora. A morena não respondeu, se limitou a estreitar os olhos e erguer uma sobrancelha. - Aliás, todos vocês foram convidados.
- Sério! Sempre quis conhecer aquele prédio podre de chic! - falou Fernanda, empolgada.
- Ué, porque não me falou, eu te levaria, sua poia. Aposto que você vai se divertir horrores, uma festa programada pelo Cássio deve ser totalmente ... - parou de falar, procurando uma palavra que descrevesse o que achava sobre o senso de diversão de seu irmão - ... empolgante!
Como Arthur não chegou com espírito bélico, logo estava todo mundo de volta à animação, fazendo planos para a ceia. Laura aproveitou que estavam todos distraídos pela conversa e começou a fazer carícias em Sam, por baixo da toalha. Estavam roçando as pernas desde que se sentaram. Agora era a mão da mulher maior quem passeava pela perna bem torneada, fazia movimentos que subiam do joelho e ia sentindo a firmeza até a virilha da loira. Notou que os olhos verdes estavam adquirindo aquela tom mais acinzentado que aparecia quando estava excitada, o que aumentou o desejo exploratório da morena. O show começou, os olhares se voltaram para o palco. A mão de Laura passeou pela calcinha da sua namorada, que fechou as pernas, apertando seus dedos de encontro à umidade que pode sentir no tecido. Sam se virou para ela, beijaram-se com gula e a morena recebeu em seu ouvido a frase “te quero agora”.
Sem esperar um segundo chamado, se levantou, pegou Sam pela mão e a levou ao banheiro. Para sua surpresa, o lugar estava deserto, até as faxineiras que deixavam o lugar impecável tinham ido ver o show. Laura encostou Sam na parede e a beijou como se fosse a primeira, ou última vez que fizesse isto, ergueu seu joelho para entrar em contato com o sexo da loira, que se apertou a ele.
- Amor, eu ... preciso de mais - Sam murmurou totalmente rouca.
Laura a levou para um dos compartimentos com porta, se sentou na patente e puxou a loira para seu colo, de costas para ela.
- Sam quer, Sam tem. - beijavam-se com fúria, enquanto com uma das mãos, Laura faziam carícias por dentro do top preto, e com a outra ergueu a minissaia da loira, se desviou da calcinha até chegar onde queria, onde era sempre tão bem recebida. Seus movimentos eram sempre correspondidos, seus corpos se entendiam com perfeição.
- Sexo em banheiro de bar é coisa de vadia, sua... cafajeste.
- Então rebola no meu dedo, vadia, vai eu sei que você está gostando, está toda encharcada.
Sam se agarrava aos cabelos negros, ainda mais excitada, sentindo o ritmo das estocadas se intensificar. Se esfregava no corpo da morena que estava quente, muito quente, coração acelerado, palavras desconexas sendo murmuradas em seus ouvidos, provocando gemidos abafados, uma ligeira consciência de estarem em lugar público a fazendo morder a mão para não gritar de prazer, finalmente. Sentiu seu corpo quase explodir num gozo intenso.
- Ai Laura, você é uma bela duma safada. - disse quando recuperou o fôlego.
- E você é a própria Madre Teresa - a voz de Laura não deixava dúvidas quanto ao fato de ela ainda estar excitada. - Mas vou te chamar de quenga, vadia e tudo o mais se me deixar na mão agora.
- Está certo que é bom ser altruísta - falou baixinho, se levantando - mas hoje estou egoísta e EU já estou satisfeita... - foi puxada com força pelos grandes e fortes braços.
- Nem pense nisto - Laura puxou com firmeza Sam para o seu colo, de frente para ela. ergueu seu vestido, e levou os dedos da loira para dentro de sua calcinha. - agora faça o que você tem que fazer, loira. - segurou os cabelos loiros e os trouxe até um seio que estava para fora do vestido.
Sam abocanhou com força o mamilo que se oferecia, Laura soltou um gemido contido de dor, que estimulou mais a loira. Sua mão estava presa na abertura quente, muito molhada, vibrante, a convidando para se movimentar ali dentro. E ela o fez, enfiou três dedos e bombeou em um ritmo acelerado, acompanhado por seus quadris para dar mais força ao movimento de entra e sai. Laura deixou o orgasmo chegar rápido, fincou os dentes no ombro da loira, por sobre o top, para conter o urro que sentiu que escaparia de seu peito. Ficaram um tempo paradas, tentando regularizar a respiração. Aos poucos ouvindo os sons que vinham de fora do banheiro.
- Hum, acho que vão querer usar o banheiro. É melhor a gente sair daqui.
- Você acha mesmo? Qual de nós duas faz papel de quenga? Eu prefiro ser a que paga uma profissional.
- E eu acho que esta sua cara é de quem curtiu o programa!
- Laura, Sam, somos só nós, podem sair daí enquanto o povo está no show.
Ao ouvir a voz de Andréa, Sam deitou a cabeça no colo de Laura, preferia enfrentar uma multidão de estranhos do que as quatro amigas que iriam pegar pesado. Laura fez carinho na cabeça da baixinha, sentiu seu peito se encher de amor pela mulher que buscava segurança nela. Levantou e tomou a frente para sair do banheiro, segurando Sam pela mão.
- Uma palavra e vocês vão ter que pagar caro pelo show! Eu não trabalho de graça!
- Eu estou só retocando a maquiagem. E a Virna veio me ajudar.
- E eu vim fazer um xixizinho básico. E a Gisele veio, err... espiar.
Sam estava de ótimo humor, observando Laura domar suas amigas, enquanto lavava rosto e mãos, ajeitava sua saia. Ela sabia que não adiantaria, elas iriam cair matando... não que nunca tivessem feito o mesmo, mas pelo menos tinham sido mais discretas.
Ficaram em silêncio enquanto Laura usava o lavabo, as meninas contendo o riso, Sam com a expressão de quem estava muito satisfeita da vida. Quando se dirigiram para a saída, de mãos dadas, ouviram as meninas se chamando de “vadia”, “quenga”, “safada”... é, a coisa iria durar.
Chegaram à mesa, onde Arthur conversava animadamente com Gabriel. O show tinha acabado há poucos minutos e as conversas estavam explodindo.
Quando elas estavam se sentando, Arthur se aproximou do ouvido de Sam e disse:
- Esquece estes rolos, ok. Sou o seu amigo de sempre, é disto que sinto falta.
- Também sinto falta do meu amigo. - Disse Sam, dando um abraço nele.
Laura observou com o canto dos olhos, mas achou melhor não comentar, deu atenção para Gabriel que tentava repetir a cantora. Logo as meninas voltaram e fizeram insinuações o resto da noite, beberam muito e como o bar estava muito quente, foram até a praia, a mesma em que Sam e Laura passaram a tarde para continuar conversando. Embaladas pela história do banheiro, acabaram contando suas aventuras noturnas. Gabriel ficou por último, dizendo que o pior pecado delas não chegava perto do seu dia mais inocente. O que se comprovou quando ele começou a contar dos seus “atendimentos”. Rolaram na areia de rir dos “causos”. Esperaram o sol nascer. Virna e Fernanda dormiram, Gisele olhava de um para o outro, sempre pronta a registrar as fofocas, Gabriel e Arthur cantavam e Laura e Sam só aproveitavam o momento, com Sam sentada entre as pernas de Laura. Olhavam juntas o sol nascendo, descobriam que talvez, melhor do que olhar uma para a outra, era estarem olhando juntas para um mesmo lugar, Sentiam a presença, decoravam o ritmo do coração que estava tão próximo. Memorizavam o som da respiração, o aroma do hálito, a textura da pele.
O dia que começou animado, transcorreu com pressa, a pressa que os dias tem quando a gente quer que eles não passem nunca. Visitaram a família de Laura, voltaram para casa, ficaram juntas o tempo todo. Domingo começou e as encontrou indispostas a se levantar. Só saíram da cama para ir para a rede, onde ficaram abraçadas, como se pudessem assim, enganar o tempo.
No aeroporto, Laura fazia hora para ir à sala de embarque. Cada minuto era precioso, sentia estar deixando muito para trás desta vez, coisa que nunca sentia em suas muitas partidas. Partidas de vários lugares, despedidas de diversas pessoas. Agora, se sentia despedir de si mesma. Era por pouco tempo, mas algo em seu íntimo não dizia isto. Sabia que Sam também se sentia assim e tentou doar a ela a coragem que também não tinha.
- Eu volto logo, amor. Quero ver as fotos deste seu trabalho antes que você exponha.
- Lau... você promete que nunca vai se esquecer de mim? Eu acho que por mais que eu tentasse, jamais poderia me esquecer de você.
- Prometo. Eu nunca vou esquecer de você, amor. Como poderia se você tem o olhar mais lindo que se pode ter.- beijou os olhos da loirinha - Se o seu beijo me faz sentir tantas coisas ao mesmo tempo - deu um beijo terno nos lábios quentes que ela amava -, se... o seu consentimento, tão simples, tão seguro e sem reservas, faz de mim um pessoa de corpo e alma, uma pessoa toda sua. Não se preocupe, eu te amo e vou estar sempre com você. - como uma reverência, se abaixou para beijar as mãos delicadas e firmes de Sam.
Sam a abraçou forte, o coração doendo. Sentiu o calor, o aconchego, a segurança, mas não apenas deste momento. Sua memória lhe trouxe a lembrança de sua mãe lhe dizendo que estaria sempre ao seu lado, a mesma sensação de calor, de conforto, segurança e depois... ela partiu e não mais voltou.
Chegas. Vens tão ligeira
e és tão ansiosamente esperada, que enfim,
nem te sentindo o passo e já te tendo inteira,
completamente em mim,
quando, toda Watteau, silenciosa, apareces,
é como se não viesses.
Vens... E ficas tão perto
de mim, e tão diluída em minha solidão,
que eu me sinto sozinho e acho imenso e deserto
e vazio o salão...
E, sem te ouvir nem ver, arde-me em febre a face,
como se eu te esperasse!
Partes. Mas é tão pouco
o que de ti se vai que ainda te vejo o arfar
do seio, e o teu cabelo, e o teu vestido louco,
e a carícia do olhar,
e a tua boca em flor a dizer-me doidices,
como se não partisses!
Guilherme de Almeida- O Idílio Suave
Obrigada minha querida amiga Vihquel, pela mão neste capítulo.
Contado por Eight Hands às 22:27
5 aventureiros:
Como alterei a ordem dos capítulos, iria perder os comentários, então os salvei aqui
TantoFaz disse...
waaaaaaaaaaaa
muito demais!
elas têm tanta sintonia!
bjusmiligaacobrar o/
5 de Dezembro de 2007 22:50
Marcela Fan Vulgo "Sem Toba" disse...
adorei \o/
amo esses pensamentos "estou comendo sua filha"hohohoho
10 de Dezembro de 2007 16:11
Vihquel disse...
Por nada Eight, mas o que foi que eu fiz mesmo? =P ... Adorei o capitulo parabens.
17 de Dezembro de 2007 12:02
Eight Hands disse...
Viquel escreveu cenas quentes de sexo.
Não usei exatamente o que ela escreveu pq ainda sou adolescente de cabeça e ia ficar tímida :P mas, serviu de inspiração e roteiro.
vihquel namoram na cam, a gente aprende muito sobre amor com elas.
17 de Dezembro de 2007 15:13
Vihquel disse...
kkkkkkkk... Sempre que precisar, umas dicas e não namoro na Cam =P
18 de Dezembro de 2007 15:48
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