segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Capítulo 6

- Sam, eu não posso te deixar partir... vai ser um erro, uma bobagem da qual você vai se arrepender pra sempre. Fica aqui, fica comigo. Você só vai se machucar se for embora, é perda de tempo, isto não tem sentido. – Arthur falava nervosamente, com um forte odor de bebida.
Mas Sam não ouvia mais nada, ao se virar, viu os olhos que traziam parte de sua vida... atrás dele... a imensidão azul.
- Laura!
- O quê? – Arthur se virou para onde Sam estava olhando e não viu ninguém conhecido, ou a desconhecida que o assombrava.
- Senhora, todos os outros passageiros já embarcaram, a senhora precisa entrar agora. O senhor pode fazer a gentileza de soltá-la.
- O quê? – Sam estava paralisada, sentia seu estômago congelar, tinha certeza de ter visto Laura, mas Arthur entrou na frente e ela não estava mais achando, olhava para todos os lados – Droga, devo estar sonhando, mas eu juro que vi.
- Senhora, é preciso embarcar imediatamente.
- Ela não vai – Arthur pegou a mão de Sam e a puxou com força.
- Me solta Arthur, está louco! – Sam se virou irada, mas seus olhos novamente localizaram os azuis que se aproximavam rapidamente. Suas pernas vacilaram e ela perdeu a noção de onde estava. Tinha que ser Laura, quem mais teria olhos como estes no mundo?
- Senhor, se não soltá-la eu vou ter que chamar os seguranças!
Arthur se virou para discutir com a funcionária. Os seguranças estavam já se aproximando, pois o tom dele era realmente exaltado e já tinha chamado a atenção das pessoas mais próximas, que estavam parando para olhar.
Alheias ao tumulto que tinha se formado, Sam e Laura se olhavam. Estavam ambas perdidas nos olhos da outra. Se achando para o mundo, ser perdendo do mundo. Surdas ao tumulto que as rodeava, porque só podiam ouvir os sentimentos que gritavam dentro delas. Tudo se agitava em seu interior, nenhum músculo se mexia, externamente. Neste poço de contrastes, Sam sentia-se tremer, nem se dava conta que a funcionária da companhia estava tentando tirá-la do transe, achando que ela só estava em choque com a discussão.
Os instintos de Laura a fizeram reconhecer a situação e, mesmo contra sua vontade, deixou de olhar Sam por um momento para dizer que não, ela não embarcaria.
- O rapaz disse que não, a senhora está dizendo que não. Mas a passageira é quem deve confirmar.
- Samantha! Olha meu dedo...
Laura passou o dedo na frente dos olhos da loira hipnotizada e o estalou na frente do rosto dela. Sam levou um susto, fazendo Laura sorrir.
- Você ainda está pensando em viajar?
- Viajar? E ir pra onde? – enfim ela conseguiu articular uma frase, mas não era para a funcionária que estava com ar irônico, entendendo a situação - Se tudo o que eu quero está na minha frente.
- Tudo bem... vou liberar o vôo. – desviando dos seguranças que cercavam Arthur, foi rapidamente até seu guichê liberar o vôo, com uma passageira a menos.
Arthur estava cercado por seguranças. À medida que ficava encurralado ia ficando mais nervoso e tentava agredir os seguranças. Em um momento de raiva gritou:
- Vou jogar uma bomba em vocês!
O momento foi totalmente errado, pois turistas americanos que tinham acabado de desembarcar, ao ouvirem a palavra mágica ‘bomba’ se assustaram. Alguns gritaram, outros se jogaram ao chão. Os seguranças para tentar mostrar que tinham a situação sob controle, jogaram Arthur no chão e o prenderam. Ele estava sem documentos e dizia que estava com uma amiga. Mas não tinha mais nenhuma conhecida sua por perto.
Laura percebeu a situação com o canto do olho, passou o braço pelas costas de Sam, a trazendo para perto de si. Assim, pode conduzi-la para longe. Sabia que Arthur teria um longo dia pela frente e não queria perder seu tempo, ou o de Sam em uma delegacia, ainda mais depois de ter visto a forma que ele tinha tratado a sua namorada. Chamou um táxi, fez Sam entrar nele, entrando logo em seguida, e entregou a ele o endereço que tinha anotado em sua agenda. Seus planos de surpresa estavam em ruína. Na verdade sentia um gelo no estômago, ao pensar que por pouco elas não se desencontraram. Ela estava indo atrás de mim! E ela fica me olhando deste jeito, meu Deus, vou perder o controle! Como ela me emociona!
Sam ainda a olhava, absolutamente deslumbrada, os olhos acompanhando todos os movimentos de Laura. Mas a morena depois de dar o endereço ao taxista estava olhando pela janela. Sam tinha certeza de nunca ter visto pessoa mais bonita em toda sua vida. Toda a perfeição estava reunida ali, era perfeição nas formas, nas cores, nos movimentos, no olhar. E aquele sorriso! Como ela surgiu assim?
- Laura? – Sam chamou baixinho.
- Oi – Laura voltou o olhar para ela. Parecia tão pequenina. Dava uma vontade tão grande de abraçar.
- Só queria saber se era você mesma – respondeu sorrindo. A cor já estava voltando para o rosto de Sam.
- Ah! Se não fosse você teria perdido uma viagem para a Espanha para me conhecer. Me sinto traída! – Laura fez biquinho e abaixou a cabeça.
- Seria traída mesmo. Sorte sua que além de você, só ... você!
Laura se sentiu comovida e ia se aproximar de Sam, mas o taxista deu uma freada brusca, neste momento.
- Estes turistas! Querem tirar foto de tudo, até deste mangue catinguento! Vão só diminuindo a velocidade não querem nem saber quem está atrás!
O homem resmungava sozinho, enquanto as passageiras no banco de trás rezavam para que, com turistas ou sem turistas na rua, chegassem logo ao apartamento.
Enfim, estavam entrando no prédio onde Sam morava. Ela saiu de perto de Laura por um instante para falar com o porteiro. Quando voltou, explicou.
- Eu tinha avisado que estaria viajando, caso alguém perguntasse.
- Ah, agora você foi explicar que achou melhor ficar.
- Não, fui avisar que não voltei. Para ninguém, principalmente para o Arthur.
Laura caiu na risada. Ela também não tinha avisado ninguém que estaria no Brasil. Pegou a mão de Sam enquanto entravam no elevador. Foram de mãos dadas e em silêncio até o apartamento. Laura entrou, observando a sala. Era tão diferente do apartamento dela. Uma sala bastante ampla, mas com poucos móveis, uma porta que dava para uma pequena área que sofá branco e com aparência de ultra confortável, tapete e cortina claros, piso de madeira, tv de plasma na parede, mesinha de centro baixa, algumas fotos em preto e branco espalhadas.
- Lugarzinho limpinho! Dá a impressão que quem mora aqui é um gatinho branco que vive se banhando.
- O gato é amarelo. Serve?
- O banho de gato você não contestou!
- Hum... sem comentários, dona Laura! Você quer tomar um banho, por falar nisto?
- Oh! Estou fedendo?? – Laura puxou sua camisa branca para cheirar por dentro. – Eu tinha planos, ia chegar na cidade, ir até um hotel, tomar banho, ficar cheirosa, penteada, maquiada e ia comprar uma lasanha para você. Mas, se não fosse um anjo pelado, sei lá, talvez Cupido me gritar para olhar para trás, eu iria dar com a cara na porta!
Laura falava rápido, ainda se cheirando. Só então Sam se deu conta que elas quase se desencontraram.
- O que deu na sua cabeça para vir de surpresa?
- Eu... percebi que não queria estar em outro lugar no mundo além de ao seu lado. – Laura olhava para Sam, tentando perceber na reação dela se o sentimento era mútuo.
- Eu ia te fazer uma surpresa também. Estava morrendo de medo de chegar lá e ... encontrar aquelas espanholas salientes na sua casa. Talvez eu te ligasse do aeroporto, estava em dúvida ainda.
- Não ia ter nenhuma espanhola em casa. Ou talvez tivesse.... – Laura fez um ar pensativo, viu um olhar apertado em Sam e emendou - ... eu já me sinto meio espanhola às vezes. Sem contar que é minha ascendência.
- Palhaça!
Sam ficou olhando para Laura. Ela tinha sorrido de novo, era o sorriso mais perfeito que já tinha visto, não cansava de se repetir isto. Quando ela tinha pego sua mão, tinha sentido uma corrente elétrica atravessar seu corpo. E agora este sorriso. Este olhar que se prendia ao seu.
- Eu poderia te olhar para o resto da vida, sabia?
- Eu também poderia te olhar para o resto da vida, mas tem tantas outras coisas que gostaria de fazer agora....
- Ah! – Sam corou – Eu posso continuar te olhando outra hora, não tem pressa!
Quem pode com uma pessoa destas! Ainda fica vermelha com tão pouco! Esta menininha tão pequenina é poderosa!
- Já que estou fedida, vou tomar meu banho. Por favor, não fuja, não pegue nenhum avião. Eu já volto.
- Não vou a lugar nenhum.
Sam mostrou rapidamente a Laura o restante do apartamento. Seu estúdio, que eram dois quartos que ela tinha juntado. A cozinha e sua suíte.
- Posso deixar minha bagagem aqui, ou ...
- Vai dormir no sofá, claro, mas por hora pode deixar suas coisas aqui.
- Ainda bem que aquele sofá parecer ser confortável... mas esta cama é bem atrativa também! - Laura pulou sentada na cama – olha só! É de mola e é macia, uau, lençol de algodão com um monte de fios...
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- Que luxo, adoro lençol assim! Vem aqui pra você ver como é gostoso. – Laura continuava pulando na cama.
- Você quer mesmo tomar este banho, não quer?
Laura ficou séria, olhando aquele olhar. Sentiu uma labareda se acender em seu estômago e se espalhar pelo corpo todo.
- Já volto.
Sam riu. Ela também tinha seus truques na manga. Foi até a sala e encomendou uma pizza, Laura deveria estar faminta. Céus! Ela está mesmo na minha casa! Uma alegria sem fim tomou conta dela. Ela ia para a Espanha não só para estar com Laura, mas para ver que tipo de sentimentos a morena sentia por ela. E a resposta veio com a presença dela ali. Sem ter avisado aos parentes. Ela veio porque queria vê-la, estar com ela. "Não queria estar em outro lugar no mundo". Tinha uma pequena adega em sua cozinha, escolheu ali um vinho merlot e o abriu. Levou duas taças para a sala, abriu a porta do terraço, se serviu de uma taça e se sentou no balcão, encostada na parede.
- Eu sei que gatos gostam de altura e só caem em pé, mas não é muito altinho para você estar sentada ai? – Laura já tinha saído do banho, estava com um hobbie branco, os cabelos molhados, estavam soltos nas costas.
- Os terraços aqui são feitos para a pessoa cair. Olha aqui, se eu cair, vou só assustar meu vizinho de baixo. Perigoso mesmo é te ver vestida assim!
- Tem muito mais de onde veio isto! – Laura passou a mão pelo corpo, erguendo uma sobrancelha. – Que tipo de pensamento te deixa com este ar tão...tão absolutamente encantador?
- Puxa! Eu achei que fosse sempre encantadora! – Sam bateu a mão na testa, provocando um sorriso na morena – Estava olhando esta lua, parece que faz um século que conversamos sobre ela.
- É verdade! – Laura também olhou para a lua – eu me senti tão ao seu lado só por olharmos para ela ao mesmo tempo.
- Eu também senti isto. E, por outro lado, senti uma falta terrível de você..... Mas agora vem aqui, deixa eu ver se tomou banho direitinho, foi tão rápido!
Laura se aproximou, passou a mão por volta da cintura da loira e baixou o rosto na frente dela.
- Pode conferir!
Sam passou a mão pelo rosto de Laura suavemente, depois, segurando-a pelo queixo, deixou seus rostos a poucos centímetros de distância. Ficaram assim por um tempo, alguns segundos ou alguns séculos, quem estava contando, afinal? Sam não tinha noção, mas seus olhos estavam de um verde intenso, refletia neles o brilho da lua-cheia. Seu ar de deslumbramento, o toque de sua mão no rosto. Laura estava perdida no encanto do momento, ainda mais quando Sam aspirou, muito perto de sua pele, provocando sentimentos inomináveis.
Aproximou seu rosto do de Sam, fecharam os olhos, ela segurou, com a mão que estava livre o rosto da loirinha, chegou ao seu ouvido e disse simplesmente: Te amo. Sam encostou o rosto no de Laura e, imitando o gesto da outra, disse: também te amo. E enfim, o sentimento que até então elas não conseguiam definir, ganhou nome. Uniram seus lábios, muito suavemente. Laura trouxe Sam mais para perto, abraçando-a. Sam dava beijinhos por toda a extensão dos lábios da morena. Aspiravam o perfume da outra, sentiam os sabores que há muito desejavam. Aprofundaram o beijo, Sam tinha envolvido Laura com um dos braços, com a outra mão, acariciava os negros cabelos ainda úmidos.
O interfone tocou, mas não conseguiu acabar com a mágica que as tinha envolvido. Continuaram se beijando, se abraçando. Se conheciam há algum tempo, sabiam como se provocar, conheciam a voz da outra, os tons, sabiam identificar os olhares. Agora estavam aprendendo a conhecer a temperatura, os batimentos do coração, estavam descobrindo que este contato físico tinha feito tanta falta!
- Tenho a sensação de ouvir sinos...
- Mas é só a campainha, vem comigo! – Sam pulou do balcão, puxando Laura consigo.
- Eita, é baixinha, mas é forte!
- É que eu tenho muitas habilidades! – Sam soltou a mão de Laura, que caia na risada, e foi abrir a porta. Voltou com uma pizza grande.
- Pelo jeito está com fome.
- Faminta! – a resposta voltou no mesmo tom de duplo sentido que tinha vindo a afirmação.
- Acho bom deixar a pizza pra depois, então!
- Quieta! Pega o vinho lá de fora, pra nós, por favor.
- Depende, não vou arredar o pé daqui se você não me ... – ganhou um selinho, na boca que já tinha baixado – ... já estou indo! Adoro mulher esperta, não precisa nem falar e ela já entende!
Sam preparou a mesa, colocou os pratos, pensou em acender velas, mas preferiu deixar isto para outro dia. Este jantar prometia não ser dos mais longos.
Jantaram se olhando, tomaram um pouco do vinho. Sam juntou a louça na pia, guardou a pizza que sobrou e voltaram para a sala.
- Pelo que entendi, aquele rapaz no aeroporto era o Arthur.
- Era. Me dá sua taça.
- Minha taça ainda está cheia. Ele parecia agitado, foi meio agressivo com você.
- É. Ele não queria que eu fosse te encontrar.... A minha está vazia, só ia trocar com você.
Laura riu e pegou a garrafa para encher a taça de Sam e completar a sua.
- Pronto, sua esperta! Acabamos com uma garrafa!
- Vai ver que é por isto que estou com este calor absurdo!
Laura olhou fixamente para Sam, deixou sua taça sobre a mesa e foi se sentar no mesmo sofá que a loira, ficou de frente para ela, com as pernas cruzadas sobre o acento. Envolveu a mão de Sam com as suas e ficou olhando para ela, sentindo seu peito se encher de amor. Quanto mais olhava, mais era tomada de um sentimento que não parecia ter começo ou fim. Enfim seu lar, seu lugar no mundo. Por mais desejável que Sam fosse, ela não sentia pressa, ansiedade. "... eu não me canso de olhar, não vou parar de olhar...". Aproximou-se mais, mas foi parada pela mão de Sam, que segurou seu rosto, acariciando-o com os dedos que percorriam em seu contorno.
- Meu nunca! – Sam disse, externando o que ela estivera pensando, enquanto se olhavam.
Laura franziu o cenho, tentando entender. Mas não era hora para perguntas. Levantou-se, tirou a taça das mãos de Sam, colocando-a na mesinha. Pegou a loira no colo e a levou ao quarto.
Laura tinha deixado a janela do quarto aberta, de forma que estava iluminado pela luz azulada da lua cheia, entrou carregando aquele pequeno e doce fardo nos braços. Sam estava entrelaçada a ela, tinha vindo dando-lhe beijinhos pela nuca no pequeno trajeto entre sala e quarto. Tempo suficiente, entretanto para fazê-la arder de paixão.
Desceu cuidadosamente Sam ao chão, não abandonando suas mãos do corpo da loirinha. Com fogo nos olhos, retirou a camiseta que estava atrapalhando sua visão. Sam ergueu os braços para facilitar o movimento, tinha fechado os olhos e jogado ligeiramente a cabeça para trás, oferecendo seu corpo para os carinhos que Laura não se furtou de fazê-los. Beijou aquele pescoço firme, deixou as pontas de seus dedos descobrirem todas as curvas que estavam expostas. Sam desfez o laço do roupão que Laura usava, passou suas mãos por dentro dele, sentindo o calor do corpo que tanto desejava. Como tinha imaginado toda a noite, embaixo dele só o corpo mais lindo que poderia imaginar. E algumas gotas de perfume.
Suavemente, Laura colocou Sam na cama, a loira sem tirar os olhos dela, baixou sua mão e abriu o botão de sua calça, puxou lentamente o zíper. Laura retirou a calça de Sam, ajoelhou-se próxima aos pés da loirinha e beijou-lhe as pernas, as coxas. Conforme subia, ia distribuindo beijos, aspirando aquele aroma embriagador. Acariciava-a com todo o seu corpo. Ambas soltavam suspiros profundos. Laura passava a mão pelo firme abdômen de Sam, enquanto sua boca tinha encontrado os mamilos rijos da loira. Beijou um, depois o outro, queria subir, queria chegar à boca de Sam, para dizer ali dentro, que a amava. Mas não resistiu à tentação de se demorar naqueles seios que se encaixavam à sua boca. Sugou, mordiscou, beijou. Enlouquecia ao sentir que estava também enlouquecendo sua parceira, que se juntava mais e mais ao seu corpo, que levantava a parte de baixo, buscando fricção. Que dizia frases desconexas, das quais, Laura só apreendia "te amo" "por favor, não me torture". Ela também se sentia torturada, as mãos de Sam em sua cabeça, empurrando-a para baixo, no convite para tomar posse de seu ser. E era tudo o que ela queria. Voltou pelo mesmo caminho que tinha feito, mas desta vez não se deteve em fazer as carícias que tinha vontade de fazer. Tentando refrear ao máximo o desejo que consumia a ela própria, distribuiu pequenos beijinhos em toda a extensão daqueles lábios pulsantes, passou a língua pelo interior, provocando gemidos e espasmos na loira. Com dois dedos, passou a explorar a entrada que logo se apertou de encontro a eles. A perna de Sam procurou por Laura, que agradeceu a gentileza. Fizeram movimentos ritmados, movimentos de quem se conhece, que sabe o que é preciso fazer. Laura intensificou os beijos, a sucção. O que tinha começado com um suave roçar de boca, era agora fricção, os pequenos beijinhos, em sucção. Até que ambas não agüentaram mais e chegaram juntas a um outro universo. Aquele onde só se encontram os amantes, depois de uma perfeita sinfonia.
Algumas horas depois, Sam acordou sentindo um peso em suas pernas. Ainda não tinha aberto os olhos. Zeus! Que noite...perfeita! Tinham acabado dormindo quando o sono chegou e o cansaço as venceu, na posição que estavam. Ainda de olhos fechados, acariciou a cabeça de Laura que estava em suas pernas. Sentiu o movimento dos olhos se abrindo junto ao seu corpo.
- Sobe aqui...
Obediente, Laura se colocou ao lado de Sam, que a abraçou, colocando metade de seu corpo sobre o da morena. Apoiou sua cabeça no colo tão firme, tão seguro da mulher que a abraçava carinhosamente.
- Sam?
- Oi
- Nunca?
- É, você é meu nunca.
- Hum.... isto ... isto é pra ser romântico, aposto! Mas eu quase corri pra procurar um dicionário, ver se achava um sentido assim pra esta palavra.
- Laura... palhaça!
- Esta palavra é romântica! Quase choro quando ouço.
Ambas caíram na risada. Não seria difícil sorrir neste dia, nesta posição que estavam. Sam dava beijinhos em todo lugar que ficava ao alcance de sua boca. Laura sentia o contato daquele corpo quente, suave, que se encaixava tão exatamente ao dela. Sam se afastou do abraço. Olhou para os olhos mais azuis que podem existir, se perdeu neles, se encontrou dentro deles. As palavras saíram sem que buscasse por elas.
- Nunca amei ninguém... Na verdade nunca gostei de ninguém. Nunca acreditei no amor. Nunca quis acordar ao lado de alguém. Nunca quis sentir que o colorido que existe no mundo pudesse existir na minha vida. Nunca quis fazer alguém feliz. Nunca quis colocar a minha felicidade nas mãos de alguém. Nunca desejei tanto viver um sonho pra sempre. Nunca fiz amor antes. Nunca estive no paraíso. Nunca me senti tão acompanhada, tão quente, nunca senti tanto desejo, nunca tive tanta paciência. Nunca senti tanto prazer com um simples toque. Nunca fui aos céus com um beijo. Nunca ... você é todos os nuncas.
- Eu ... nunca ...vou deixar de amar você! Você é o meu lar.
Selaram as palavras com um beijo, um beijo sem pressa, sem exigências. Trocaram carinhos, fizeram amor, como nenhuma das duas tinham feito antes. Ambas tinham experiência, ambas tinham conhecido prazer, mas experimentavam amor, pela primeira vez. E todas as vezes seriam primeiras vezes, pois o que sentiam não era estático, mas um sentimento novo, renovado a cada instante. Viveram alguns dias assim. Descobrindo o amor, descobrindo o quanto ele possuía raízes tão profundas, apesar do pouco tempo.... o tempo... tempo que tinha deixado de existir, tempo que não explicava nada. Amavam-se e isto era tudo o que importava.

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