@MOR.COM
Eight Hands
Carla, Marcela, Rapha e Talissa
Eight Hands
Carla, Marcela, Rapha e Talissa
Fanfiction escrita por Carla, com apoio, correções, sugestões, xingamento, etc, de Rapha, Talissa e Marcela (Sem Toba).
Avisos:
- Há cenas de sexo explícito entre duas mulheres adultas. Se você é menor de 18 anos, ou por qualquer motivo não pode ler este tipo de material, é melhor procurar outra leitura.
-Este texto está protegido por direitos autorais e não infringe qualquer direito que os Studios USA/Renaissance detém sobre o seriado Xena, a Princesa Guerreira, pois não visa qualquer tipo de lucro com a publicação deste texto.
- É possível interagir com as personagens através do orkut delas, com link no texto.
Avisos:
- Há cenas de sexo explícito entre duas mulheres adultas. Se você é menor de 18 anos, ou por qualquer motivo não pode ler este tipo de material, é melhor procurar outra leitura.
-Este texto está protegido por direitos autorais e não infringe qualquer direito que os Studios USA/Renaissance detém sobre o seriado Xena, a Princesa Guerreira, pois não visa qualquer tipo de lucro com a publicação deste texto.
- É possível interagir com as personagens através do orkut delas, com link no texto.
Contato: eight.hands@gmail.com, ou http://www.orkut.comProfile.aspx?uid=11551861240946617106

- O quê?! Eu ir lá no meio das desvairadas casamenteiras, me esbofetear por um buquê? Mas nem se você me oferecesse uma nota de cem reais, eu iria me permitir este vexame, Arthur. Estou fora! Quer circo? Arrume outra palhaça! – agora com um sorriso sarcástico e uma sobrancelha levantada, comentou. – No circo, sou no máximo a domadora de leões, mande uma fera pra mim que eu amanso rapidinho.
- Que é isto, Sam? Casamento não é tão ruim assim, você tem que ter esperança...
- Esperança? Não seja ridículo! Como se a idéia de me prender fosse algo desejável – isto a tinha mesmo irritado.
- ... esperança de achar alguém com quem você possa estar junto sem se sentir presa. Mania feia de me interromper, eu ia me sair bem! – Arthur estava entre zangado e divertido.
Eles se conheciam há muito tempo. Eram amigos de infância, uma das poucas pessoas a quem Samantha Figueiredo, permitia acesso à sua vida com alguma constância.
Ela tinha pavor de se sentir amarrada, condicionada. Não se prendia a amigos, emprego fixo e, nem mesmo de sua família era muito próxima. Por compreender esta natureza, Arthur conseguia se aproximar, deixava espaço para que ela o procurasse, e escolhesse os "quandos" e "ondes".
- E então, loira domadora, vamos ao menos assistir os peixinhos lutando pelo único pão que vai cair na água até o próximo casamento?
- Este tipo de espetáculo deprimente não me empolga nem um pouco. Se quiser, vá lá. Estou vendo vários de seus amigos babando com as apostas para ver qual delas vai ter o comportamento mais ridículo - levantando-se, completou. - Não se preocupe comigo, vou dar uma volta por ai, para ver se encontro algum peixe que, ao invés de um pão embolorado, prefira uma... refeição rápida e completa – deu uma piscadela para o amigo antes de se encaminhar para o salão interno, que não estava mais cheio como antes, já que muitos tinham ido ver a noiva jogar o buquê.
- Refeição rápida, completa e, principalmente, sem amanhã minha linda e amada amiga - encostou o copo no rosto antes de continuar resmungando. - Mais que muito amada, no entanto só amiga – Arthur bateu a cabeça na mesa, inconformado mais uma vez por ter se deixado cair na armadilha e ter se apaixonado por Sam.
Mantinha este sentimento em segredo, se declarar a ela era seria a senha para que nunca mais se vissem. E ele não queria isto, gostava da companhia dela, dos lugares que iam juntos, gostava do mundo iluminado que ela conhecia.
Sabia que assim que falasse em transformar a amizade em namoro ela se decepcionaria com ele, afinal ela não se permitia a paixão.
Para Sam, paixão, amor e seus derivados, são as maiores prisões. Pior que isto, eram correntes postas voluntariamente por pura estupidez, insensatez ou simples falta de ter o que fazer.
Os olhos verdes - anódinos para todos que cruzavam seu caminho - sabiam se encher de intensidade, diversão, brilho e safadeza quando lhe convinha, geralmente motivado por uma bela imagem, que sabia captar como poucos nas lentes de suas câmeras.
O ar de maturidade e independência, que seu rosto orgulhoso ostentava, moldado pelos cabelos loiros mantidos bem curtos, era realçado pelo corpo pequeno e atlético.
Seu temperamento difícil - tinha fama de ser uma pedra pontiaguda de gelo - não a impedia de conseguir bons trabalhos, pois era, na fotografia, uma verdadeira artista, com sensibilidade suficiente para captar poesia e beleza nos momentos.
Desde criança fora arredia, preferia observar à distância e quando entrava em uma brincadeira, era para ganhar, pois conhecia os pontos fracos e atacava-os sem perdão. As outras crianças aprenderam a temê-la e, por isto, isolá-la. Sua aparente indiferença ocultava a decepção e magoa que sentia.
Com o passar dos anos, sua aparência física desabrochou e ela passou a atrair olhares fascinados, de ambos os sexos e, depois de observá-los como sempre fez, escolhia quem queria, como queria, dava boa-noite e ia embora. Sem dor, sem compromisso, sem... amanhã.
Morava sozinha desde os dezoito anos, em um apartamento na beira da praia, em Recife. Na verdade, após a morte de sua mãe, quando Sam tinha sete anos, vivera praticamente só. O pai s entregara ao trabalho, não sabia de seus dons artístico e muito menos de sua dificuldade em se relacionar e seu irmão, onze anos mais velho, já frequentava a faculdade e seguia os passos do pai, inclusive literalmente. Já Sam, escolheu a fotografia. Com freqüência revivia a conversa com seu pai quando o informou de sua vocação.
- Você quer fazer o quê?
- Fotografia artística, pai.
- Isto não é carreira, é hobbie!
- Não é um trabalho chato, de escritório, mas é profissão sim!
- Samantha, há muito eu me conformei de te sustentar pelo resto da sua vida. Tudo o que eu fiz é para você e seu irmão mesmo... vá, faça o que você bem entender.
- Então o senhor está dizendo que vai me ajudar no começo – com os olhos semi-cerrados e pensamentos maquiavélicos borbulhando na cabeça, continuou. – Porque eu vou precisar de um estúdio, vou ter que morar nele para não correr nenhum risco de assalto ou coisa assim.
Seu pai ficou parado em pé, apoiando-se na cadeira, quando finalmente respondeu.
- Pode ficar com o apartamento na praia, ele iria mesmo ser seu. Vou garantir uma mesada que dê para seu sustento também. Se um dia colocar juízo nesta cabeça, me procure que eu te ajudo a entrar na faculdade de Direito.
Samantha ria quando se lembrava disto. Ela ganhava mais que o suficiente para se sustentar, mantendo um bom padrão de vida. Mas seu pai merecia uma lição, pela arrogância. O valor que ele dava a ela, era rigorosamente depositado em um banco. Um dia, renderia uma ótima viagem, ou quem sabe, uma mudança definitiva do país.
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- Minha casa! Minha casa! Minha casa! - Laura jogou suas malas no sofá e beijou o chão empoeirado de seu apartamento.
- Como eu sempre me meto nestas roubados e te abandono, casinha querida! Prometo nunca mais te trair assim – arregalou seus olhos azuis cansados e pensou por um instante. – Na verdade não prometo, mas ... Ah, eu te amo!
Estirada no chão de seu apartamento, agora tão empoeirada quanto ele, curtia o simples prazer de estar em casa após três meses de viagens pela África.
Fotografar cenas de guerra a exauriam completamente. Fazia fotos-reportagens como free-lance, para periódicos de respeito, sempre enfocando o lado humano e social e - embora fosse conhecida, premiada e respeitada por seu trabalho - nunca conseguiria se acostumar com a barbárie, tinha certeza disto.
Apesar de ser brasileira, Laura Sanches, desde que adotara a Espanha como lar há cinco anos, não conseguira voltar para o Brasil. Estava estrategicamente mais perto dos focos de guerra, alvo de seu trabalho, porém a saudade andava a atormentando.
A internet e suas maravilhosas ferramentas de comunicação apareciam como uma bóia de salvação a ela. Amava o Orkut e através dele conseguia não só manter contato com sua família e amigos, como também investigar suas conversas, seguir passos de seus namoros, sempre fazendo algum comentário divertido, jogando fogo... ou, em alguns casos, um pouco de água. Tinha reencontrado pessoas que achava que nunca mais teria notícias. Mantinha-se presente, mesmo na ausência.
Curtia o aconchego de seu apartamento, o silêncio e a paz que se jogar no sofá e ver um pouco de tv enquanto navegava na net lhe proporcionava. Entretanto, para seu desgosto, estar em casa era raridade, o mais comum era estar empoeirada e suando em bicas, com disparos de armas como trilha sonora.
Apesar da dualidade entre a paz que desejava e a guerra que a rodeava, sabia que não tinha muita escolha. Não saberia viver em mundo tão desigual sem tentar fazer uma pequena parte que fosse.
Desde pequena, observava as diferenças sociais com uma certa angústia. Morara, quando criança, em um bairro muito tranqüilo, de uma cidade nada tranqüila. Sua família tinha condições financeiras bem estáveis, mas não era esta a realidade de todos no bairro.
Bobagens do tipo cor, religião, profissão dos pais de seus amigos nunca passava por sua cabeça. Só sabia que gostava de brincar com Jussélia e seus irmãos. Às vezes, esticava a brincadeira e ficava para o jantar. Aprendeu a comer verduras e que carne não era o essencial para uma refeição ser chamada de boa. A comida de dona Anália era realmente fantástica, apesar de simples.
Quando entrou na escola, sentiu como se fosse na sua, a discriminação pela cor da pele de sua amiga. Doia em si a exclusão violenta dos que usavam uniformes de segunda mão, material cedido pelo governo, não moravam em belas casas ou qualquer outro tipo de diferença com a maioria.
Laura bem que tentava, mas não entendia o comportamento das pessoas. Quando era ela, Ju e mais alguém, brincavam pacificamente. Quando chegava mais um grupo de crianças, pronto, já começavam a atormentar sua amiga. Bem, eles tentavam, porque logo Laura começou a usar sua altura avantajada para impor respeito.
Quando fez nove anos, Laura ganhou o presente que iria mudar sua vida. Seu pai comprou uma câmera fotográfica, modelo infantil e disse que era para tirar fotos de coisas importantes, porque uma fotografia iria guardar o momento para sempre.
A máquina tinha vindo com filme, mas ela não saiu batendo fotos. Teve o seu bolo, a família reunida, mas nenhuma foto saiu daquela festa. Ela já sabia bem quais eram os momentos importantes.
Um dia, após a aula, entregou para seu pai o filme e pediu para que ele revelasse. As fotos eram da mesa simples onde estava toda a família da Jussélia em harmonia. Das brincadeiras na escola, quando eram grupos pequenos e, uma foto que o comoveu: em primeiro plano a amiga de sua filha com os olhos lacrimejantes e ao fundo algumas crianças com dedo apontado e rindo. Ele comparou as duas fotos e notou que eram as mesmas crianças da foto anterior.
Estas fotos foram apresentadas para a diretora da escola, foram expostas em reunião com pais e professores e conseguiu comover o suficiente para que fosse montado um projeto multidisciplinar para combater as formas de racismo e discriminação na escola. O projeto rendeu uma promoção para a diretora, o primeiro prêmio de Laura... e a felicidade e gratidão de Jussélia.
*****
Laura estava extasiada com seu dia de folga. Tinha acordado cedo, pelo hábito. Passou um tempo olhando pela janela que tinha deixado aberta, vendo a luminosidade invadir o quarto, os primeiros raios do Sol aquecendo seus pés. O livro que tinha lido até tarde ainda estava sobre a cama. Espreguiçou-se com preguiça de levantar. Ligou o som ao lado da cama e ficou lá um bom tempo, aproveitando as maravilhas de uma vida independente.
Levantou depois de ouvir algumas músicas que sempre a deixavam tranqüila e inspirada. Tomou seu banho, sentindo o prazer de deixar a água escorrer por seu corpo, em uma temperatura agradável, com as gotas iluminadas pela luz do dia que invadia seu banheiro. Os banhos eram sempre preciosos quando ela voltava destes lugares tão áridos.
Preparou seu café da manhã, como sempre fazia quando estava em casa, não gostava de sair para comer fora, pelo menos não de manhã. Arrumou a mesa: um copo de suco, uma xícara de café, um prato com um pão recheado com um ovo mexido.
Normalmente ela levantaria e iria correr, mas o dia de outono já estava frio e ela tinha muita poeira para derrotar em seu apartamento. Realmente não gostava do serviço caseiro, mas não era do tipo que fugia de desafios e, afinal, era sua casa.
Algumas horas mais tarde, ligeiramente cansada, mas plenamente satisfeita consigo mesma e com a casa e roupas limpas, se deu o prazer de se jogar no sofá e esticar as pernas, com o notebook à bordo.
Era sexta-feira e no Brasil deveriam ser umas duas horas da tarde. A maior parte de seus contatos ou estava offline, ou estavam ocupados. "Todos trabalhando e eu... folga, folga, folga!"
Deixou seu MSN ligado, mas ficou no status offline, sabia que se ficasse online iria ter que conversar com pessoas que não estava interessada no momento, tendo que contar uma história que iria se repetir vários outras vezes. Decidiu que quando a maioria de seus contatos estivessem online, juntaria todos e falaria de uma vez. Realmente não gostava de ficar falando de suas viagens, não quando era este tipo de viagem, não quando os horrores da guerra ainda estavam impregnados na sua mente.
Conferiu seus e-mails, deletou dezenas de mensagens que ela não entendia como ficavam mandando, será que achavam que alguém realmente leria tudo aquilo? Riu de algumas mensagens. Meu Deus, depilar realmente é tudo isto! Depois, caixa de entrada limpa, foi conferir seu Orkut. Alguns scraps para responder, alguns amigos de colégio e faculdade que a tinham adicionado. Respondeu a todos, conferiu o perfil de seus amigos que tinha acabado de aceitar e foi ver as comunidades. Notou que algumas estavam a cada dia mais paradas. É, as pessoas mudam rápido de hábito, eu gostava de ver estes barracos no Barraco, nem o Divã com a Rapha tem se movimentado, ainda bem que o Fator está um caldeirão borbulhante, agora vamos ver as comus de fotografia...Hum, olha só, esta eu não conhecia... Fotógrafas Sexys... por Zeus, vamos conferir se elas são tudo isto mesmo.
Empolgada com a comunidade descoberta, Laura entrou nos tópicos para ler os comentários e, obviavemente, para olhar as fotos das que se diziam sexys. Em um dos tópicos, uma moça que era bonita, apesar de não ser seu tipo, comentava que aquela comunidade era absurda, porque uma mulher só ficaria atrás de uma câmera se não tivesse beleza o suficiente para ficar à frente dela. Laura ergueu uma sobrancelha e deu um meio sorriso quando leu isto. O comentário a seguir, de uma figura que usava a foto do Garfield e se chamava Sam, respondeu que o requisito principal para estar atrás da câmera era cérebro, o que evidentemente faltava em grande parte das pessoas que ficavam à frente delas. O troco cortante, fez com que Laura risse muito.
Foi pesquisar o perfil de ambas. A primeira, tinha um álbum recheado de fotos de pretensa modelo. "Mais uma deslumbrada com este mundo de fantasia". Já o da segunda, despertou toda a atenção de Laura. A começar pelo álbum. Fotos lindas, momentos do cotidiano capturados em seu momento mais mágico, aquelas fotos, tão simples, mas tão inspiradas e eloqüentes, fizeram com que Laura sentisse uma emoção estranha, um aperto de solidão amargo, que a fez, pela primeira vez que chegou, ter vontade de ligar para sua família.
Enquanto falava com seus pais, continuou mexendo no perfil de Sam, olhando suas comunidades. Notou que tinham muito em comum, gostavam do mesmo estilo de livros, filmes, música, de morar sozinhas... O perfil pessoal era muito engraçado. Sam gostava de luz de velas, depois comentou que pra ficar perfeita a noite, a pessoa tinha que apagar as velas quando fosse embora.
Decididamente, aquele gato amarelo era uma pessoa interessante. Procurou o e-mail e, para sua satisfação, ele estava disponível. Adicionou no MSN e ficou esperando que ela aceitasse, apesar de ser uma desconhecida. "Ela não vai aceitar. Quem aceita desconhecidos?" pensou fazendo um biquinho, mas ao continuar sua pesquisa deu um sorriso. "Quem está em uma comunidade chamada 'Sou mais curiosa que cuidadosa' . É, existe uma possibilidade".
Quando percebeu que seu convite foi aceito, Laura riu alto.
- Esta Sam Garfield é mesmo curiosa! - falou para si mesma, ainda rindo.
Bloqueou os outros contatos e ficou online. Imediatamente viu abrir uma janela de conversação.
Sam: Oi, vc me add aqui... eu te conheço?
Laura: Não, mas eu gostaria de trocar uma idéia com vc, se não for incômodo, é claro.
Sam: Hum! Vc está querendo me incomodar, é?
Laura: Uau... vamos direto ao ponto!
Sam: Brincadeira, desculpa! O que vc quer falar comigo?
Laura: Estava vendo seu perfil no Orkut, temos alguns interesses em comum...Além de sermos da mesma cidade.
Sam: Ah! Vc tb investigou o meu orkut! Que abusada!
Laura: É público u.u"
Sam: Como foi que vc chegou lá? Alguma comunidade da cidade?
Laura: Não...
Sam: ?
Laura: uma comunidade que me deu curiosidade para pesquisar os membros...
Sam: ??
Laura: Fotógrafas Sexys... Fui conferir se eram mesmo.
Sam: NÃO ACREDITO! Eu só entrei nesta comunidade para discutir por um comentário que achei muito insano, esqueci de sair dela depois!
Laura: Eu vi seu comentário lá, ri muito dele.
Sam: Hum...
Laura: O que foi?
Sam: Vc veio falar comigo pq estou naquela comunidade, logo...
Laura: Logo quer saber se achei que vc é mesmo sexy?
Sam: :/
Laura: Vc não é? Puxa! Sabia que aquela foto sua no orkut era muito gata pra ser verdade
Sam: Foto? Eu uso a imagem do Garfield!
Laura: Muito gato então, desculpa. Sempre tive dificuldades em descobrir o sexo dos animais u.u
Sam: Hei, mas ele é famoso
Laura: Vc se identifica com ele?
Sam: ¬¬¬ Quer saber pq? Isto está soando como um convite para comer lasanha!
Laura: Com vinho!!! :)
Sam: Ok! Aceito, só que eu não vou lavar a louça depois
Laura: é, tenho que concordar, afinal, cheiro de detergente tira um pouco o clima da dança, depois do jantar.
Sam: Uau! Seu cenário tem luz de velas, tb?
Laura: Ah, sim! Vi que isto está no seu perfil. E é uma das coisas q temos em comum
Sam: Isto não é justo! Vc me investigou e estou em desvantagem aqui... :X
Laura: Não precisa chorar, bebê! Toma o link para vc se divertir também
Laura: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15148617871771162184
Sam: \o/ Vamos ver quem é a investigadora misteriosa...
Sam: Hum, bela foto! Pena que SEJA A FOTO DA LUCY LAWLESS
Laura: Até vc acha isto? Alguns amigos comentaram que me pareço com ela, mas eu não acho. Ela é loira e eu ...bem, eu sou inteligente
Sam: PALHAÇA! Eu sou loira ¬¬¬
Laura: Tudo bem, eu tenho paciência pra te ensinar as coisas do céu, terra, água e o mar
Sam: Vou ignorar seu comentário besta. Está parecendo foto de modelo...
Laura: não... na verdade é de uma fotógrafa.
Sam: sexy???
Laura: Vc achou? :)
Sam: Achei o que criatura?
Laura: A fotógrafa, vc achou sexy? :)
Sam: Hum.... eu comeria lasanha com ela
Laura: É só marcar o dia então
Sam: Nem vem!
Sam: eu ainda não acredito que seja vc
Laura: Não, não... eu uso esta foto na Internet, mas, na verdade, sou uma mulher de 40 anos, 120 Kg e desdentada.
Sam: Vc deveria escovar os dentes... após as 10 refeições que deve fazer pra manter seus 120Kg.
Laura: Eu passaria o dia só comendo e escovando os dentes O.o
Sam: Hei
Sam: Vc tem algumas fotos no seu álbum que eu reconheço...
Sam: são da Laura Sanches, ela ganhou alguns prêmios com estas fotos.
Laura: É, mas as pessoas retratadas não sofreram menos por isto. :/
Sam: O trabalho dela é importante. Ela divulga situações que as pessoas não querem ver, porque é mais fácil fechar os olhos.
Laura: As pessoas retratadas não sofreram menos por isto....
Sam: Mas outras pessoas deixaram de sofrer. Ouvi dizer que depois que esta matéria foi publicada, foram enviadas tropas de paz para lá
Laura: Eu sei, mas sinto que talvez tivesse ajudado mais indo ajudar ao invés de parar para tirar as fotos.
Sam: ...?
Laura: ...??
Laura: O que foi??
Sam: VOCÊ É LAURA SANCHES??
Laura: Vc não tinha visto meu nome no perfil?
Sam: Sim, mas.... Por acaso vc acha que eu sou mesmo o Garfield??
Laura: hauhauahuahuah
Laura: Tudo bem, vamos começar do começo... Muito prazer, eu sou Laura
Sam: Com prazer é mais caro... Laura Sanches
Laura: Eu ganhei um prêmio aí, estou meio abonada.
Sam: ... eu não preciso me apresentar. Vc sabe quem eu sou
Laura: Vc é a Sam, que gosta de lasanha e luz de velas, mora em Recife, usa piercing no umbigo, mora sozinha com muito prazer, não gosta de lavar louça, gosta de MPB e ... é fotografa
Sam: sexy, não se esqueça
Laura: puxa, que cabeça a minha! >_< style="color: rgb(51, 51, 153);">Sam: não poderia deixar passar um detalhe importante destes
Sam: Bem... Meu nome é Samantha Figueiredo... mas pode me chamar só de Sam, mesmo
Laura: Gosto disto, digitar menos letras evita LER.
Sam: vc tb é...
Laura: ...?
Sam: fotógrafa...
Laura: Ah, não me achou sexy, não?
Sam: cof.... muito. Tenho que sair.
Laura: Vai sair na melhor parte da conversa?
Sam: É, marquei com uns amigos pra ir num barzinho na praia.
Laura: Saudade deste clima bom daí...
Laura: barzinho na praia é tudo de bom com o calor daí.
Sam: É sim, é um lugar legal também, de umas amigas. É gls, tem videokê, muita gente boa
Laura: Do tipo boa gente? ;)
Sam: Do tipo gente boa.. boa pra caçar.
Laura: :P
Laura: Estou te atrasando. Boa caça, não esquece de salgar para guardar, nunca se sabe do dia de amanhã.
Sam: Não se preocupe, eu tenho uma agenda, opa, uma despensa cheia.
Laura: Boa noite, então
Sam: Boa noite pra vc tb. Divirta-se.
"É, vou me divertir... na cama... by myself". Ficou pensando que isto na verdade não a incomodava. Ou melhor, costumava não incomodar.
De repente, achou sua cama muito grande, muito fria. Achou que a idéia de dormir e acordar sozinha, sem ninguém para reclamar da luz acesa até tarde, ou da janela aberta, já não era um alívio tão grande. E, se levantar para preparar seu próprio café... fazer café da manhã para ela mesma.... Notou que uma ou duas lágrimas corriam pelo seu rosto e nem quis parar para pensar no motivo, tentou afastar os pensamentos, todos eles e só se concentrar em sua tentativa de dormir... sozinha.
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- Que é isto, Sam? Casamento não é tão ruim assim, você tem que ter esperança...
- Esperança? Não seja ridículo! Como se a idéia de me prender fosse algo desejável – isto a tinha mesmo irritado.
- ... esperança de achar alguém com quem você possa estar junto sem se sentir presa. Mania feia de me interromper, eu ia me sair bem! – Arthur estava entre zangado e divertido.
Eles se conheciam há muito tempo. Eram amigos de infância, uma das poucas pessoas a quem Samantha Figueiredo, permitia acesso à sua vida com alguma constância.
Ela tinha pavor de se sentir amarrada, condicionada. Não se prendia a amigos, emprego fixo e, nem mesmo de sua família era muito próxima. Por compreender esta natureza, Arthur conseguia se aproximar, deixava espaço para que ela o procurasse, e escolhesse os "quandos" e "ondes".
- E então, loira domadora, vamos ao menos assistir os peixinhos lutando pelo único pão que vai cair na água até o próximo casamento?
- Este tipo de espetáculo deprimente não me empolga nem um pouco. Se quiser, vá lá. Estou vendo vários de seus amigos babando com as apostas para ver qual delas vai ter o comportamento mais ridículo - levantando-se, completou. - Não se preocupe comigo, vou dar uma volta por ai, para ver se encontro algum peixe que, ao invés de um pão embolorado, prefira uma... refeição rápida e completa – deu uma piscadela para o amigo antes de se encaminhar para o salão interno, que não estava mais cheio como antes, já que muitos tinham ido ver a noiva jogar o buquê.
- Refeição rápida, completa e, principalmente, sem amanhã minha linda e amada amiga - encostou o copo no rosto antes de continuar resmungando. - Mais que muito amada, no entanto só amiga – Arthur bateu a cabeça na mesa, inconformado mais uma vez por ter se deixado cair na armadilha e ter se apaixonado por Sam.
Mantinha este sentimento em segredo, se declarar a ela era seria a senha para que nunca mais se vissem. E ele não queria isto, gostava da companhia dela, dos lugares que iam juntos, gostava do mundo iluminado que ela conhecia.
Sabia que assim que falasse em transformar a amizade em namoro ela se decepcionaria com ele, afinal ela não se permitia a paixão.
Para Sam, paixão, amor e seus derivados, são as maiores prisões. Pior que isto, eram correntes postas voluntariamente por pura estupidez, insensatez ou simples falta de ter o que fazer.
Os olhos verdes - anódinos para todos que cruzavam seu caminho - sabiam se encher de intensidade, diversão, brilho e safadeza quando lhe convinha, geralmente motivado por uma bela imagem, que sabia captar como poucos nas lentes de suas câmeras.
O ar de maturidade e independência, que seu rosto orgulhoso ostentava, moldado pelos cabelos loiros mantidos bem curtos, era realçado pelo corpo pequeno e atlético.
Seu temperamento difícil - tinha fama de ser uma pedra pontiaguda de gelo - não a impedia de conseguir bons trabalhos, pois era, na fotografia, uma verdadeira artista, com sensibilidade suficiente para captar poesia e beleza nos momentos.
Desde criança fora arredia, preferia observar à distância e quando entrava em uma brincadeira, era para ganhar, pois conhecia os pontos fracos e atacava-os sem perdão. As outras crianças aprenderam a temê-la e, por isto, isolá-la. Sua aparente indiferença ocultava a decepção e magoa que sentia.
Com o passar dos anos, sua aparência física desabrochou e ela passou a atrair olhares fascinados, de ambos os sexos e, depois de observá-los como sempre fez, escolhia quem queria, como queria, dava boa-noite e ia embora. Sem dor, sem compromisso, sem... amanhã.
Morava sozinha desde os dezoito anos, em um apartamento na beira da praia, em Recife. Na verdade, após a morte de sua mãe, quando Sam tinha sete anos, vivera praticamente só. O pai s entregara ao trabalho, não sabia de seus dons artístico e muito menos de sua dificuldade em se relacionar e seu irmão, onze anos mais velho, já frequentava a faculdade e seguia os passos do pai, inclusive literalmente. Já Sam, escolheu a fotografia. Com freqüência revivia a conversa com seu pai quando o informou de sua vocação.
- Você quer fazer o quê?
- Fotografia artística, pai.
- Isto não é carreira, é hobbie!
- Não é um trabalho chato, de escritório, mas é profissão sim!
- Samantha, há muito eu me conformei de te sustentar pelo resto da sua vida. Tudo o que eu fiz é para você e seu irmão mesmo... vá, faça o que você bem entender.
- Então o senhor está dizendo que vai me ajudar no começo – com os olhos semi-cerrados e pensamentos maquiavélicos borbulhando na cabeça, continuou. – Porque eu vou precisar de um estúdio, vou ter que morar nele para não correr nenhum risco de assalto ou coisa assim.
Seu pai ficou parado em pé, apoiando-se na cadeira, quando finalmente respondeu.
- Pode ficar com o apartamento na praia, ele iria mesmo ser seu. Vou garantir uma mesada que dê para seu sustento também. Se um dia colocar juízo nesta cabeça, me procure que eu te ajudo a entrar na faculdade de Direito.
Samantha ria quando se lembrava disto. Ela ganhava mais que o suficiente para se sustentar, mantendo um bom padrão de vida. Mas seu pai merecia uma lição, pela arrogância. O valor que ele dava a ela, era rigorosamente depositado em um banco. Um dia, renderia uma ótima viagem, ou quem sabe, uma mudança definitiva do país.
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- Minha casa! Minha casa! Minha casa! - Laura jogou suas malas no sofá e beijou o chão empoeirado de seu apartamento.
- Como eu sempre me meto nestas roubados e te abandono, casinha querida! Prometo nunca mais te trair assim – arregalou seus olhos azuis cansados e pensou por um instante. – Na verdade não prometo, mas ... Ah, eu te amo!
Estirada no chão de seu apartamento, agora tão empoeirada quanto ele, curtia o simples prazer de estar em casa após três meses de viagens pela África.
Fotografar cenas de guerra a exauriam completamente. Fazia fotos-reportagens como free-lance, para periódicos de respeito, sempre enfocando o lado humano e social e - embora fosse conhecida, premiada e respeitada por seu trabalho - nunca conseguiria se acostumar com a barbárie, tinha certeza disto.
Apesar de ser brasileira, Laura Sanches, desde que adotara a Espanha como lar há cinco anos, não conseguira voltar para o Brasil. Estava estrategicamente mais perto dos focos de guerra, alvo de seu trabalho, porém a saudade andava a atormentando.
A internet e suas maravilhosas ferramentas de comunicação apareciam como uma bóia de salvação a ela. Amava o Orkut e através dele conseguia não só manter contato com sua família e amigos, como também investigar suas conversas, seguir passos de seus namoros, sempre fazendo algum comentário divertido, jogando fogo... ou, em alguns casos, um pouco de água. Tinha reencontrado pessoas que achava que nunca mais teria notícias. Mantinha-se presente, mesmo na ausência.
Curtia o aconchego de seu apartamento, o silêncio e a paz que se jogar no sofá e ver um pouco de tv enquanto navegava na net lhe proporcionava. Entretanto, para seu desgosto, estar em casa era raridade, o mais comum era estar empoeirada e suando em bicas, com disparos de armas como trilha sonora.
Apesar da dualidade entre a paz que desejava e a guerra que a rodeava, sabia que não tinha muita escolha. Não saberia viver em mundo tão desigual sem tentar fazer uma pequena parte que fosse.
Desde pequena, observava as diferenças sociais com uma certa angústia. Morara, quando criança, em um bairro muito tranqüilo, de uma cidade nada tranqüila. Sua família tinha condições financeiras bem estáveis, mas não era esta a realidade de todos no bairro.
Bobagens do tipo cor, religião, profissão dos pais de seus amigos nunca passava por sua cabeça. Só sabia que gostava de brincar com Jussélia e seus irmãos. Às vezes, esticava a brincadeira e ficava para o jantar. Aprendeu a comer verduras e que carne não era o essencial para uma refeição ser chamada de boa. A comida de dona Anália era realmente fantástica, apesar de simples.
Quando entrou na escola, sentiu como se fosse na sua, a discriminação pela cor da pele de sua amiga. Doia em si a exclusão violenta dos que usavam uniformes de segunda mão, material cedido pelo governo, não moravam em belas casas ou qualquer outro tipo de diferença com a maioria.
Laura bem que tentava, mas não entendia o comportamento das pessoas. Quando era ela, Ju e mais alguém, brincavam pacificamente. Quando chegava mais um grupo de crianças, pronto, já começavam a atormentar sua amiga. Bem, eles tentavam, porque logo Laura começou a usar sua altura avantajada para impor respeito.
Quando fez nove anos, Laura ganhou o presente que iria mudar sua vida. Seu pai comprou uma câmera fotográfica, modelo infantil e disse que era para tirar fotos de coisas importantes, porque uma fotografia iria guardar o momento para sempre.
A máquina tinha vindo com filme, mas ela não saiu batendo fotos. Teve o seu bolo, a família reunida, mas nenhuma foto saiu daquela festa. Ela já sabia bem quais eram os momentos importantes.
Um dia, após a aula, entregou para seu pai o filme e pediu para que ele revelasse. As fotos eram da mesa simples onde estava toda a família da Jussélia em harmonia. Das brincadeiras na escola, quando eram grupos pequenos e, uma foto que o comoveu: em primeiro plano a amiga de sua filha com os olhos lacrimejantes e ao fundo algumas crianças com dedo apontado e rindo. Ele comparou as duas fotos e notou que eram as mesmas crianças da foto anterior.
Estas fotos foram apresentadas para a diretora da escola, foram expostas em reunião com pais e professores e conseguiu comover o suficiente para que fosse montado um projeto multidisciplinar para combater as formas de racismo e discriminação na escola. O projeto rendeu uma promoção para a diretora, o primeiro prêmio de Laura... e a felicidade e gratidão de Jussélia.
*****
Laura estava extasiada com seu dia de folga. Tinha acordado cedo, pelo hábito. Passou um tempo olhando pela janela que tinha deixado aberta, vendo a luminosidade invadir o quarto, os primeiros raios do Sol aquecendo seus pés. O livro que tinha lido até tarde ainda estava sobre a cama. Espreguiçou-se com preguiça de levantar. Ligou o som ao lado da cama e ficou lá um bom tempo, aproveitando as maravilhas de uma vida independente.
Levantou depois de ouvir algumas músicas que sempre a deixavam tranqüila e inspirada. Tomou seu banho, sentindo o prazer de deixar a água escorrer por seu corpo, em uma temperatura agradável, com as gotas iluminadas pela luz do dia que invadia seu banheiro. Os banhos eram sempre preciosos quando ela voltava destes lugares tão áridos.
Preparou seu café da manhã, como sempre fazia quando estava em casa, não gostava de sair para comer fora, pelo menos não de manhã. Arrumou a mesa: um copo de suco, uma xícara de café, um prato com um pão recheado com um ovo mexido.
Normalmente ela levantaria e iria correr, mas o dia de outono já estava frio e ela tinha muita poeira para derrotar em seu apartamento. Realmente não gostava do serviço caseiro, mas não era do tipo que fugia de desafios e, afinal, era sua casa.
Algumas horas mais tarde, ligeiramente cansada, mas plenamente satisfeita consigo mesma e com a casa e roupas limpas, se deu o prazer de se jogar no sofá e esticar as pernas, com o notebook à bordo.
Era sexta-feira e no Brasil deveriam ser umas duas horas da tarde. A maior parte de seus contatos ou estava offline, ou estavam ocupados. "Todos trabalhando e eu... folga, folga, folga!"
Deixou seu MSN ligado, mas ficou no status offline, sabia que se ficasse online iria ter que conversar com pessoas que não estava interessada no momento, tendo que contar uma história que iria se repetir vários outras vezes. Decidiu que quando a maioria de seus contatos estivessem online, juntaria todos e falaria de uma vez. Realmente não gostava de ficar falando de suas viagens, não quando era este tipo de viagem, não quando os horrores da guerra ainda estavam impregnados na sua mente.
Conferiu seus e-mails, deletou dezenas de mensagens que ela não entendia como ficavam mandando, será que achavam que alguém realmente leria tudo aquilo? Riu de algumas mensagens. Meu Deus, depilar realmente é tudo isto! Depois, caixa de entrada limpa, foi conferir seu Orkut. Alguns scraps para responder, alguns amigos de colégio e faculdade que a tinham adicionado. Respondeu a todos, conferiu o perfil de seus amigos que tinha acabado de aceitar e foi ver as comunidades. Notou que algumas estavam a cada dia mais paradas. É, as pessoas mudam rápido de hábito, eu gostava de ver estes barracos no Barraco, nem o Divã com a Rapha tem se movimentado, ainda bem que o Fator está um caldeirão borbulhante, agora vamos ver as comus de fotografia...Hum, olha só, esta eu não conhecia... Fotógrafas Sexys... por Zeus, vamos conferir se elas são tudo isto mesmo.
Empolgada com a comunidade descoberta, Laura entrou nos tópicos para ler os comentários e, obviavemente, para olhar as fotos das que se diziam sexys. Em um dos tópicos, uma moça que era bonita, apesar de não ser seu tipo, comentava que aquela comunidade era absurda, porque uma mulher só ficaria atrás de uma câmera se não tivesse beleza o suficiente para ficar à frente dela. Laura ergueu uma sobrancelha e deu um meio sorriso quando leu isto. O comentário a seguir, de uma figura que usava a foto do Garfield e se chamava Sam, respondeu que o requisito principal para estar atrás da câmera era cérebro, o que evidentemente faltava em grande parte das pessoas que ficavam à frente delas. O troco cortante, fez com que Laura risse muito.
Foi pesquisar o perfil de ambas. A primeira, tinha um álbum recheado de fotos de pretensa modelo. "Mais uma deslumbrada com este mundo de fantasia". Já o da segunda, despertou toda a atenção de Laura. A começar pelo álbum. Fotos lindas, momentos do cotidiano capturados em seu momento mais mágico, aquelas fotos, tão simples, mas tão inspiradas e eloqüentes, fizeram com que Laura sentisse uma emoção estranha, um aperto de solidão amargo, que a fez, pela primeira vez que chegou, ter vontade de ligar para sua família.
Enquanto falava com seus pais, continuou mexendo no perfil de Sam, olhando suas comunidades. Notou que tinham muito em comum, gostavam do mesmo estilo de livros, filmes, música, de morar sozinhas... O perfil pessoal era muito engraçado. Sam gostava de luz de velas, depois comentou que pra ficar perfeita a noite, a pessoa tinha que apagar as velas quando fosse embora.
Decididamente, aquele gato amarelo era uma pessoa interessante. Procurou o e-mail e, para sua satisfação, ele estava disponível. Adicionou no MSN e ficou esperando que ela aceitasse, apesar de ser uma desconhecida. "Ela não vai aceitar. Quem aceita desconhecidos?" pensou fazendo um biquinho, mas ao continuar sua pesquisa deu um sorriso. "Quem está em uma comunidade chamada 'Sou mais curiosa que cuidadosa' . É, existe uma possibilidade".
Quando percebeu que seu convite foi aceito, Laura riu alto.
- Esta Sam Garfield é mesmo curiosa! - falou para si mesma, ainda rindo.
Bloqueou os outros contatos e ficou online. Imediatamente viu abrir uma janela de conversação.
Sam: Oi, vc me add aqui... eu te conheço?
Laura: Não, mas eu gostaria de trocar uma idéia com vc, se não for incômodo, é claro.
Sam: Hum! Vc está querendo me incomodar, é?
Laura: Uau... vamos direto ao ponto!
Sam: Brincadeira, desculpa! O que vc quer falar comigo?
Laura: Estava vendo seu perfil no Orkut, temos alguns interesses em comum...Além de sermos da mesma cidade.
Sam: Ah! Vc tb investigou o meu orkut! Que abusada!
Laura: É público u.u"
Sam: Como foi que vc chegou lá? Alguma comunidade da cidade?
Laura: Não...
Sam: ?
Laura: uma comunidade que me deu curiosidade para pesquisar os membros...
Sam: ??
Laura: Fotógrafas Sexys... Fui conferir se eram mesmo.
Sam: NÃO ACREDITO! Eu só entrei nesta comunidade para discutir por um comentário que achei muito insano, esqueci de sair dela depois!
Laura: Eu vi seu comentário lá, ri muito dele.
Sam: Hum...
Laura: O que foi?
Sam: Vc veio falar comigo pq estou naquela comunidade, logo...
Laura: Logo quer saber se achei que vc é mesmo sexy?
Sam: :/
Laura: Vc não é? Puxa! Sabia que aquela foto sua no orkut era muito gata pra ser verdade
Sam: Foto? Eu uso a imagem do Garfield!
Laura: Muito gato então, desculpa. Sempre tive dificuldades em descobrir o sexo dos animais u.u
Sam: Hei, mas ele é famoso
Laura: Vc se identifica com ele?
Sam: ¬¬¬ Quer saber pq? Isto está soando como um convite para comer lasanha!
Laura: Com vinho!!! :)
Sam: Ok! Aceito, só que eu não vou lavar a louça depois
Laura: é, tenho que concordar, afinal, cheiro de detergente tira um pouco o clima da dança, depois do jantar.
Sam: Uau! Seu cenário tem luz de velas, tb?
Laura: Ah, sim! Vi que isto está no seu perfil. E é uma das coisas q temos em comum
Sam: Isto não é justo! Vc me investigou e estou em desvantagem aqui... :X
Laura: Não precisa chorar, bebê! Toma o link para vc se divertir também
Laura: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15148617871771162184
Sam: \o/ Vamos ver quem é a investigadora misteriosa...
Sam: Hum, bela foto! Pena que SEJA A FOTO DA LUCY LAWLESS
Laura: Até vc acha isto? Alguns amigos comentaram que me pareço com ela, mas eu não acho. Ela é loira e eu ...bem, eu sou inteligente
Sam: PALHAÇA! Eu sou loira ¬¬¬
Laura: Tudo bem, eu tenho paciência pra te ensinar as coisas do céu, terra, água e o mar
Sam: Vou ignorar seu comentário besta. Está parecendo foto de modelo...
Laura: não... na verdade é de uma fotógrafa.
Sam: sexy???
Laura: Vc achou? :)
Sam: Achei o que criatura?
Laura: A fotógrafa, vc achou sexy? :)
Sam: Hum.... eu comeria lasanha com ela
Laura: É só marcar o dia então
Sam: Nem vem!
Sam: eu ainda não acredito que seja vc
Laura: Não, não... eu uso esta foto na Internet, mas, na verdade, sou uma mulher de 40 anos, 120 Kg e desdentada.
Sam: Vc deveria escovar os dentes... após as 10 refeições que deve fazer pra manter seus 120Kg.
Laura: Eu passaria o dia só comendo e escovando os dentes O.o
Sam: Hei
Sam: Vc tem algumas fotos no seu álbum que eu reconheço...
Sam: são da Laura Sanches, ela ganhou alguns prêmios com estas fotos.
Laura: É, mas as pessoas retratadas não sofreram menos por isto. :/
Sam: O trabalho dela é importante. Ela divulga situações que as pessoas não querem ver, porque é mais fácil fechar os olhos.
Laura: As pessoas retratadas não sofreram menos por isto....
Sam: Mas outras pessoas deixaram de sofrer. Ouvi dizer que depois que esta matéria foi publicada, foram enviadas tropas de paz para lá
Laura: Eu sei, mas sinto que talvez tivesse ajudado mais indo ajudar ao invés de parar para tirar as fotos.
Sam: ...?
Laura: ...??
Laura: O que foi??
Sam: VOCÊ É LAURA SANCHES??
Laura: Vc não tinha visto meu nome no perfil?
Sam: Sim, mas.... Por acaso vc acha que eu sou mesmo o Garfield??
Laura: hauhauahuahuah
Laura: Tudo bem, vamos começar do começo... Muito prazer, eu sou Laura
Sam: Com prazer é mais caro... Laura Sanches
Laura: Eu ganhei um prêmio aí, estou meio abonada.
Sam: ... eu não preciso me apresentar. Vc sabe quem eu sou
Laura: Vc é a Sam, que gosta de lasanha e luz de velas, mora em Recife, usa piercing no umbigo, mora sozinha com muito prazer, não gosta de lavar louça, gosta de MPB e ... é fotografa
Sam: sexy, não se esqueça
Laura: puxa, que cabeça a minha! >_< style="color: rgb(51, 51, 153);">Sam: não poderia deixar passar um detalhe importante destes
Sam: Bem... Meu nome é Samantha Figueiredo... mas pode me chamar só de Sam, mesmo
Laura: Gosto disto, digitar menos letras evita LER.
Sam: vc tb é...
Laura: ...?
Sam: fotógrafa...
Laura: Ah, não me achou sexy, não?
Sam: cof.... muito. Tenho que sair.
Laura: Vai sair na melhor parte da conversa?
Sam: É, marquei com uns amigos pra ir num barzinho na praia.
Laura: Saudade deste clima bom daí...
Laura: barzinho na praia é tudo de bom com o calor daí.
Sam: É sim, é um lugar legal também, de umas amigas. É gls, tem videokê, muita gente boa
Laura: Do tipo boa gente? ;)
Sam: Do tipo gente boa.. boa pra caçar.
Laura: :P
Laura: Estou te atrasando. Boa caça, não esquece de salgar para guardar, nunca se sabe do dia de amanhã.
Sam: Não se preocupe, eu tenho uma agenda, opa, uma despensa cheia.
Laura: Boa noite, então
Sam: Boa noite pra vc tb. Divirta-se.
"É, vou me divertir... na cama... by myself". Ficou pensando que isto na verdade não a incomodava. Ou melhor, costumava não incomodar.
De repente, achou sua cama muito grande, muito fria. Achou que a idéia de dormir e acordar sozinha, sem ninguém para reclamar da luz acesa até tarde, ou da janela aberta, já não era um alívio tão grande. E, se levantar para preparar seu próprio café... fazer café da manhã para ela mesma.... Notou que uma ou duas lágrimas corriam pelo seu rosto e nem quis parar para pensar no motivo, tentou afastar os pensamentos, todos eles e só se concentrar em sua tentativa de dormir... sozinha.
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